Saramago

Do Saramago, eu li um dos livros que mais gosto, a Jangada de Pedra. A história é mais ou menos assim: começam a sugir enormes rachaduras no chão, na fronteira da Espanha com a França. Enquanto o mundo tenta entender o que está acontecendo, enquanto os governos tentam inutilmente cimentar a fenda, a fenda avança, até separar definitivamente a península Ibérica do resto da Europa. Portugal e Espanha saem à deriva, Atlântico adentro.

Cinco pessoas pela Península protagonizaram fenômenos estranhos, mas um pouco triviais (um funcionário de férias lança ao mar uma pedra pesada que voa mais longe que deveria, ou uma galega que começa desmanchar uma meia de lã, que nunca termina) se reunem e a partir deles que a história é contada.

Um bocadinho de realismo fantástico, naturalmente. A história é bonita e o livro é bem divertido. Eu acho especialmente divertidos os interlúdios em que são contadas as reações dos governos estrangeiros. O Reino Unido limita-se a comemorar o fato que Gibraltar separou-se da península, legitimando indubitavelmente o controle inglês sobre a rocha… Ou os manifestantes europeus que gritam “nós também somos ibéricos”. Ou a incrível política de boa-vizinhança dos americanos (sempre eles!). O livro foi escrito em um momento que Portugal e Espanha estavam entrando na União Européia e pelo que eu li na orelha o livro é um comentário a esse fato ou sobre a questão identitária Portugal-se-sente-marginalizado-na-grande-Europa-e-gostaria-de-ser-um-país-do-Atlântico. Mesmo sem entender essa referência direito (afinal sou de outro continente, né?), essa ode à identidade Ibérica é bonita.

Faz uns três meses li Caim, o último livro dele, publicado no ano passado. Sempre achei muito divertido ver comunistas ateus falando de religião, eles têm um sarcasmo muito, muito fino. No entanto, como é um livro baseado pesadamente recheado de referências à Bílbia, eu perdi metade das referências do livro, quem teve uma educação cristã provavelmente vai se divertir mais com as referências. Gostei no entanto, especialmente do final (sem spoilers aqui, leia 🙂 ).

Comecei e não terminei, A Caverna. Esse livro fala de um Shopping Center (o Centro) gigantesco, em eterna expansão e consumindo a cidade e o mundo em volta dele. Quando fui ler o livro, estavam construindo o maior shopping da América Latina na minha cidade, a algumas centenas de metros da escola em que eu estudava (digamos, eu tinha uns 13 anos, acho, na época) e o livro foi um pouco demais, parei de ler.

Por fim para a lista de coisas que eu li do Saramago, naturalmente, o Conto da ilha desconhecida, um conto curto cujos detalhes não lembro bem, mas é legal. E o primeiro texto que acho que li dele foi o teatro A Noite, sobre um grupo de jornalistas na redação de um jornal recebendo a notícia da Revolução dos Cravos.

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